Páginas

sábado, 27 de agosto de 2011

Benjamim Guimarães

Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai subir
(Sá & Guarabira - Sobradinho)

A jardineira ficou estacionada no cais e nós viemos para cá: à bordo do barco a vapor Benjamin Guimarães. Não é dia de Révellon, mas é uma satisfação tão boa flutuar sobre o velho Chico, admirar as carrancas nas margens ou apreciar o trabalho dos pescadores de dentro deste barco que realmente não dá para deixar para outra hora!


O gaiola, como é conhecido desde sua época, é um barco a vapor, único no mundo em atividade, que navega em caráter turístico pelas águas do rio São Francisco, num percurso que vai de Pirapora à Barra do Guaicuí, onde o rio encontra com o Rio das Velhas, proporcionando uma viagem prazerosa que dura cerca de 4 horas. Um passeio fantástico, romântico e alegre que é por bem comparado a um cruzeiro marítimo: um cruzeiro brejeiro!
Almanaque Brasil no Youtube

Em outras épocas, esta embarcação ia até o município de Juazeiro na Bahia e as necessidades da viagem não eram precisamente turísticas. O barco levava cerca de 9 dias para completar o percurso de ida e 14  dias para completar o percurso de volta à Pirapora.
A HISTÓRIA

O Benjamim Guimarães foi construído em 1913 pela empresa James Rees & Company, em Mississipi, Massachusetts, EUA, onde serviu à navegação daquele rio famoso. Depois, veio para o Brasil vendido à Amazon River Plate, e navegou na bacia amazônica, até que foi comprado, na década de 20, por Julio Mourão, que o remontou em Pirapora e o rebatizou, dando-lhe o nome de seu pai.

Foto antiga do Gaiola

Na década de 40 o barco foi novamente vendido, desta vez à Navegação e Comércio do São Francisco, empresa do coronel Quintino Vargas. A existência do barco na região, juntamente com outros "gaiolas" como o Barão de Cotegipe, o Wenceslau Braz e o São Francisco, foi muito importante para a vida da população regional, mesmo tendo sido utilizado mais ao transporte de cargas do que o de passageiros. Mas esta parte da história viu seu fim nos anos 80, quando a navegação à vapor entrou em decadência.

Simulação do barco no passado: ouça o apito da chaleira.

Em 1995, o Benjamim Guimarães, através do IEPHA, foi tombado pelo patrimônio histórico e em 1997 se tornou patrimônio da cidade de Pirapora, graças a um acordo entre a Franave (Companhia de Navegação do São Francisco) e a prefeitura da cidade.
Carrancas do tipo totén e pescador do São Francisco.


Exibir mapa ampliado
Percurso do Rio São Francisco que vai de Pirapora até a Barra do Guaicui.
 
O barco passou por uma interdição pela Capitania de Portos de Minas Gerais em 1995, devido a falhas na caldeira, mas, a partir de 2002, sofreu uma restauração que o fez retornar a ativa. Hoje, o Benjamim continua sendo uma atração para quem passeia pelos lados do Médio São Francisco. Uma viagem imperdível, cheia de poesia e histórias, que fazem com que a vida volte a ter júbilo e se transforme em uma festa intensa.


Pesquisa:
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/1018908 Em 30/12/2010, 19:51
http://www.andarilhodaluz.com.br/bots/gingaimprime_popup.php3?id=383&menuId=442 Em 30/12/2010, 19:54

Links:
Turismo à bordo do barco à vapor: http://www.maracaja.com.br/
Prefeitura de Pirapora-MG: http://www.pirapora.mg.gov.br/

E a gente se despede. Vamos voltar à jardineira, o Manuel, e partir para a coleta de mais uma postagem para a nossa enciclopédia.