Sempre a uma semana da chegada do Carnaval acontece em Belo Horizonte o tradicional desfile da Banda Mole. Paramos a jardineira em algum canto do centro da cidade para conferirmos de perto as particularidades desse movimento de descontração e euforia, embora estejamos no meio do ano, quando em outras épocas acontecia um carnaval temporão em Belo Horizonte, o Carnabelô, que, assim como o frio que costumava acompanhar e ganhar o carinho da população nesse período, já não existe mais.
BANDA MOLE
“A minha vida é esta, subir Bahia, descer Floresta”.
Rômulo Paes
A frase do cronista e compositor Rômulo Paes não foi escrita para a ocasião, mas serve para definir este monumental movimento cultural em seus primeiros anos. Atualmente, devido à expansão atribuída ao sucesso, se encontra bem mais complexo.
Criado em 1975 com a alcunha de pré-carnaval pelo conhecido Movimento Machão Mineiro (MMM), o desfile da Banda Mole é hoje uma das principais expectativas do carnaval belohorizontino, apesar de acontecer, imprescindívelmente, uma semana antes da festa da carne, entre 14h e 22h.
O Evento gratuíto e democrático, porém, organizado, atrai foliões e figurinhas marcadas de drags e saudosistas de todo o Estado, e até mesmo do país, que vão subir a rua da Bahia, partindo de seu encontro com a avenida Afonso Pena, próximo ao Palácio das Artes, vestidos de muita fantasia e irreverência e a lembrar a época boa dos carnavais regados a bons e inteligentes temas de homenagens ou sátiras, os enredos, bonecos alegóricos, shows, tranquilidade e alegria, e marchinhas carnavalescas de todos os tempos, puxadas pela Charanga do Bororó, formada por representantes do MMM.
Qual mineiro de BH não tem uma história para contar acontecida em um desfile da Banda Mole?
A jardineira esta semana foi estacionada em frente ao museu do Giramundo, no bairro Floresta, em Belo Horizonte, para conhecer a história deste que é um dos grupos de teatro de bonecos mais premiados do mundo.
TEATRO DE BONECOS GIRAMUNDO
Os criadores do Giramundo
Criado em 1970, em Lagoa Santa, Minas Gerais, pelo professor e artista plástico Álvaro Apocalypse (Ouro Fino, MG, 1937 - Belo Horizonte, 2003), com a ajuda de sua esposa Tereza Veloso (Espinosa, 1936 - Belo Horizonte, 2003) e de uma aluna, Maria do Carmo Vivacqua (Belo Horizonte, 1945), a Madu, ambas, também artistas plásticas e professoras de Belas Artes da UFMG, partindo da intenção do professor de construir bonecos para atuar em peças de teatro. Ele, que chegou a realizar animação para a TV Itacolomi, teve que desistir da idéia de trabalhar com animação de bonecos para o cinema, como se fazia na Europa, em razão da complexidade e custo dos equipamentos. O nome do grupo teria sido Mimoso, Álvaro procurava um nome de boi ou de um outro animal bem brasileiro, mas alguém sugeriu o que foi estabelecido. Fica no ar se há alguma relação com a raça girolando de gado bovino.
No início, Terezinha reunia a família para assistir às peças; Madu sugeria a introdução de idéias mais urbanas e intelectuais. Durante o período de composição de sua identidade, que se caracteriza por usar técnicas diversas com o uso de marionetes e explorar temas múltiplos, baseando-se na literatura em geral, com temas que podem se relacionar com a cultura local, quanto com textos da literatura mundial.
Museu do Giramundo e cena de "Pedro e o lobo"
O grupo participou de festivais universitários em Ouro Preto, até que surgiu um convite para instalar sua sede no campus da UFMG. Hoje, o grupo é uma das mais bem sucedidas companhias de teatro de bonecos do mundo e conta com uma estrutura impensada se comparada com a das primeiras apresentações, composta de oficinas, departamento de desenvolvimento gráfico, estúdio de animação, escola para a formação de seus artistas e, ainda, um museu onde pode ser encontrado todo o acervo do grupo, formado por bonecos, cenários e os rascunhos dos projetos.
O Giramundo impressionou o público com sua criatividade nos anos 80. Em 1987 passa a contar com Marcos Malafaia na direção dos espetáculos. Mas, um dos momentos mais marcantes ocorreu nos anos 90 com o audacioso espetáculo "Antologia Mamaluca", inspirado na obra anarco-pornográfica do polêmico e bastante cultuado no meio underground da poesia brasileira, o mineiro Sebastião Nunes.
Boneco do espetáculo "Antologia mamaluca"
Com a ruptura com a UFMG no final da década de 1990, o grupo esteve a ponto de encerrar sua produção, uma vez que não podia mais abrigar seu vasto material. Surgiu em 2003 um patrocínio e foi criado o teatro móvel, um caminhão-baú que a companhia usava para se apresentar pelo interior do Estado. Porém, neste mesmo ano, o Giramundo perde seus principais fundadores, Álvaro e Terezinha, e volta a passar por momentos difíceis.
Com o "teatro móvel" a arte do Giramundo ia até o público.
Com a direção das filhas do casal, o grupo conquista sua sede no bairro Floresta e diversifica sua área de atuação, incluíndo cinema, animação e desenvolvimento de produtos. Em 2005 a Rede Globo encomendou bonecos ao Giramundo para atuarem na minissérie "Hoje é dia de Maria" e em 2009 foi a vez da Rede Minas contratar o grupo para desenvolver bonecos de diversas técnicas para um programa infantil para a televisão: o "Dango Balango".
Stills da minissérie "Hoje é dia de Maria".
Bonecos do programa infantil da Rede Minas de televisão.
O Giramundo fez apresentações pelo mundo à fora e inspirou gerações de amantes e desenvolvedores do teatro de bonecos, alguns se tornando discípulos de Álvaro Apocalyse.
Cronologia de Espetáculos
A Bela Adormecida (versão 1971)
Aventuras no Reino Negro (1972)
Saci Pererê (1973)
Um Baú de Fundo Fundo (1975)
A Bela Adormecida (versão 1976)
El Retablo de Maese Pedro (1976)
Cobra Norato (1979)
As Relações Naturais (1983)
Auto das Pastorinhas (1984)
O Guarani (1986)
Giz (1988)
Preparação do teatro móvel para exibição da peça "Giz".
O Diário/Le Journal (versão 1990)
A Flauta Mágica (1991)
Apresentação de "A flauta mágica" com a participação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
em novembro de 2006.
Le Journal (versão 1992)
Tiradentes (1992)
Pedro e o Lobo (1993)
Cena de "Pedro e o lobo"
O Cortejo Brasileiro (1993)
Antologia Mamaluca (1994)
Ubu Rei (1995)
O Carnaval dos Animais (1996)
O Diário (1997)
Gira Gerais (1997)
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (1999)
Orixás (2001)
Miniteatro Ecológico - O Aprendiz Natural (2002)
Miniteatro Ecológico - Mata Atlântica (2003)
Miniteatro Ecológico - Cerrado (2004)
Miniteatro Ecológico - Amazônia (2005)
Pinocchio (2005)
Miniteatro Ecológico - Caatinga (2006)
A Flauta Mágica - (nova montagem e nova direção) (2006)
Vinte Mil Léguas Submarinas (2007)
Ramon e Maraó (2008)
Giz (2009)
Baú de fundo fundo - reestreia (2010)
Alice no país das maravilhas (2010)
Televisão
Hoje é dia de Maria (2005)
Primeira parte do capítulo 1 da minissérie.
O restante do capítulo e outros mais pode ser visto no próprio Youtube.
Da Bahia-Minas, estrada natural
Que ligava Minas ao porto ao mar
Caminho de ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné
Lembra o povo alegre que vinha cortejar
Maria fumaça não canta mais
Para moças, flores, janelas e quintais
Na praça vazia, um grito um ai
Casas esquecidas, viúvas nos portais
(Ponta de Areia. Milton Nascimento & Fernando Brant)
É com muita emoção que estacionamos a jardineira, bem rapidinho, para não perdermos o trem que vamos pegar, para preencher de informações e lembranças, com muito requinte, mais uma página da nossa enciclopédia.
1880, findo o trabalho dos operários, está disponível aos usuários de transporte de trilhos situados entre as cidades de Antônio Carlos e Barroso a EFOM: Estrada de Ferro Oeste de Minas. Integrada à histórica Ferrovia Leopoldina, a 13ª da malha ferroviária brasileira, que chegou ao Estado de Minas Gerais, em 1872, partindo da atual cidade de Cataguases.
1881, a articulação da população de São João Del Rey, interessada pelos benefícios da bitolinha, apelido carinhoso que a estrada recebeu, devido a dimensão peculiar de seus dormentes, de aproximadamente 30 polegadas, faz com que sua sede seja implantada na cidade. A estrada recebe a alcunha de "a mais mineira das estradas de ferro" e é considerada a primeira ferrovia do Estado de Minas Gerais, uma vez que as demais que o atinge possuíam, na época, sedes fora de seus limites.
A extensão da estrada chegou a ser de 602 km e serviu ao transporte de passageiros e cargas durante um longo período. Hoje, ela ainda funciona, sendo o trecho que liga São João Del Rey a Tiradentes, ambas cidades históricas, bastante procurado por turistas interessados em viajar em uma locomotiva a vapor americana, do início do século XX, a Maria Fumaça, percorrendo 13 quilômetros, durante meia hora, tendo como panorama o rio das Mortes e a serra de São José, atrás do chamado turismo histórico ou cultural, e por que não dizer ecológico, que busca resgatar, com prazer e muito glamour, uma época de desenvolvimento não só da malha ferroviária do Estado de Minas Gerais, mas também de diversos aspectos da sociedade brasileira.
O complexo ferroviário de São João Del Rey é considerado um dos pilares que deram origem a ferrovia Centro-Atlântica, uma malha federal que liga estados do Sul ao Nordeste do país. Desde 1989, este complexo é tombado pelo patrimônio histórico nacional.
A gente fica por aqui! Vamos passear um pouco de Maria Fumaça e depois curtir bastante a cidade histórica de Tiradentes, que em breve terá seu registro específico aqui no blog!
Estivemos entretidos com os resultados de imagens e vídeos sobre o Minas Trend Preview, um evento de moda lançado em 2007, que tem a assistência da Fiemg e que se consolida cada vez mais como um dos melhores do setor no país, e achamos interessante fazer o lançamento de um nome da moda do Estado de Minas Gerais aqui na nossa enciclopédia.
Mineiro de Belo Horizonte, Ronaldo Fraga é o estilista da moda (sem trocadilhos), embora ele mesmo pensa não ser um estilista e sim "um desenhista de personagens de suas histórias, que muitos batizam de moda" como ele mesmo se define.
Formado em estilismo pela UFMG e graduado na Parson's School de Londres, Ronaldo começou sua carreira em 1996, quando lançou sua marca no extinto Phytoervas Fashion com uma coleção, nada convencional, intitulada “Eu Amo coração de galinha”. Em seguida vieram “Álbum de família” e “Em nome do Bispo”. Com estas, Ronaldo foi agraciado com o prêmio de Estilista revelação 1997, evento promovido pela Phytoervas e MTV.
Uma das coleções de Ronadlo. Fonte: Site do estilista.
À partir de 1998, suas coleções viraram figuras obrigatórias na semana de Moda - Casa de Criadores e a mídia entendida do assunto coloca seu nome entre os criadores da identidade da Moda Brasileira.
Em 2001, conquista espaço no São Paulo Fashion Week. Estréia com “Rute - Salomão”, estória de amor fictícia entre um judeu ortodoxo e uma cristã. Resultado: Ronaldo é o estilista “cult” da Moda brasileira.
Na coleção seguinte, desfila um de seus trabalhos mais memoráveis,”Quem matou Zuzu Angel”. Desfile em homenagem a estilista mineira de Curvelo, autora da "primeira coleção de moda política da história", morta pela ditadura militar. Olha por onde vai a criatividade desse cara!
Preview da coleção Quem Matou Zuzu Angel do site do estilista.
Ronaldo se interessa, em suas criações, ecleticamente, pelo mundo contemporâneo e pela cultura brasileira. Em seus trabalhos pode se identificar elementos que vão da cultura do Vale do Jequitinhonha ao visual leve e despojado da cantora Nara Leão. Este último, aconteceu em uma edição do SPFW (São Paulo Fashion Week), em que o estilista conta com a participação de sua amiga Fernanda Takai, a vocalista da banda mineira Pato Fu, que havia lançado um trabalho sobre a cantora.
Foto do desfile inspirado na cantora Nara Leão.
O moço também se dedica a trabalhos sociais, escreveu o livro “Moda Roupa e tempo – Drummond selecionado e ilustrado por Ronaldo Fraga” e já tem sua biografia publicada em uma coleção denominada "Moda Brasileira". Recebeu, pelas mãos do Ministro da cultura Gilberto Gil, em 2007, um prêmio que é concedido às personalidades de destaque na cultura brasileira. É o Governo elevando a moda, pela primeira vez, ao status de agente formador de cultura. Também neste ano, sua coleção que homenageia Nara Leão vai parar em Tokyo. Arigatô!
E o motor não pára: fevereiro de 2008, junto á cem designers do mundo, único representante da América do Sul, Ronaldo participa do BRIT INSURANCE – Designs of the year, exposição organizada pelo Design Museum de Londres, apresenta look completo e vídeo da coleção “A China de Ronaldo Fraga”, se associando a nomes como o do condecorado estilista de vanguarda japonês, Issey Myake, Jhon Galliano, outro superstar da moda, e a estilista alemã Jil Sander.
Ainda em 2008 acontece a coleção "A Loja de Tecidos"; Nova participação no SPFW, desta vez o tema é a transposição do rio São Francisco e seus problemas; Participação, também, no projeto Talentos do Brasil, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário; Sua seleção para participar da I Bienal Ibero-Americana de Design organizada pela Associação de Desenhadores de Madrid (DIMAD); E a apresentação, em Tokyo, da exposição “When Lives Become Form”.
Desfile de Ronaldo Fraga no SPFW 2011/Vídeo raro Issey Myake 1975 (curiosidade)
Quando à noite a linda lua torna as pedras cor de prata Diamantina sai à rua transformada em serenata. Seresteiros indormidos, dedilhando violões, Levam música aos ouvidos e saudade aos corações.
A seresta apaixonada corre as ruas do Macau, Capistrana, Cavalhada, São Francisco e Burgalhau. Estas ruas serpeantes é tão fácil entendê-las, Descem doidas por diamantes, sobem ávidas de estrelas.
O Itambé, mesmo de longe, ouve os sons quase em surdina, Ergue as mãos azuis de monge e abençoa Diamantina. Se de um sonho nada resta, só saudade, só, mais nada, Como é linda uma seresta numa noite enluarada.
Rumamos com a jardineira para o norte do Estado, chegamos a uma das mais importantes e pitorescas cidades de Minas Gerais: a formosa Diamantina.
Tijuco era só um arraial sem importância, perdido no, hoje, Alto do Jequitinhonha. Coordenadas: 18° 14' 56" S 43° 36' 00" O. Altitude: 1113 m do nível do mar.
Porém, por volta de 1720, foi encontrado ouro nesta região e a vida da localidade deixou de ser pacata e desimportante. Passou a receber tropeiros, atrás de pedras preciosas: diamante, para mais tarde se dar ao luxo de abrigar portugueses de alta estirpe, e, até, virar côrte de uma escrava.
1734 é o ano que o arraial se conhece como uma verdadeira cidade. Deu-se a criação da intendência dos diamantes e a promoção a centro político-administrativo do distrito diamantino. Em 1739 foi estabelecido o Contrato: a exploração das jazidas de diamantes era cargo do Contratador. 1771 é o ano em que a Coroa Portuguesa cria o Regimento Diamantino. Um código de leis regendo a exploração dos diamantes, que ficou conhecido como "livro de capa verde". O arraial se transforma em um “Estado dentro do Estado” e recebe a denominação de vila em 1831. Em 1838 o rebatismo: Cidade de Diamantina. Seu povo passou a receber a denominação de diamantinense.
A atividade mineradora na cidade é marcante, influenciando-a em muitos aspectos, que vão refletir nos dias de hoje devido a uma história repleta de aventuras, heroísmos, romances, traições, busca pelo poder, e que deixou um legado de riquezas: material, cultural, arquitetônica, que fazem da cidade, atualmente, um exótico e bem conservado cartão postal de Minas Gerais.
Em Diamantina, imperadores da Coroa Portuguesa, desfilando com seus servos, foram recebidos; Chica da Silva, a escrava rainha, ganhou seu reinado das mãos de João Fernandes de Oliveira, seu contratador apaixonado; Juscelino Kubitschek nasceu, para daí alavancar seu progresso e dar uma nova Capital ao país. Também são filhos de Diamantina: o ator Vladimir Brichta, a poetisa Helena Morley e Hilma Caldeira, uma das maiores jogadoras de vôlei deste nosso país.
Diamantina, hoje, tem por volta de 45800 habitantes. Dista 292 km da Capital, Belo Horizonte, e possui uma temperatura média de 18ºC e clima tropical de altitude. Serve a diversos tipos de turismo, sendo o mais importante o turismo voltado para as cidades históricas. O ponto de partida dos tropeiros e demais viajantes da época colonial e, também, do ouro, a caminho do Rio de Janeiro, a chamada Estrada Real, era em Diamantina. Hoje, essa estrada deu origem e nome a um complexo turístico muito avançado e bastante movimentado. O carnaval desta cidade está entre os melhores do ranking do Estado.
Fontes de pesquisa: Recanto das Letras - História e curiosidades sobre a Cidade. Desvendar - História, dados e agenda da cidade. Educar Brasil - Estrada Real. Viagem e sabor - Original da foto. Nesse site se encontram: fotos e informações complementares muito úteis.
Links: Prefeitura de Diamantina - Informações diversas, agenda da cidade, programação de festas e turismo.
Veja muitas fotos da cidade em http://www.ferias.tur.br/fotos/3036/diamantina-mg.html
Além da beleza arquitetônica barroquina, Diamantina também possui belezas naturais. Após um belo passeio pelas ruas da cidade, nada melhor do que curtir as águas da Cachoeira do Sentinela.